04/10/2009

Quem é Emicida?

Quem é o tal do Emicida, hein? Aquele que recebeu três indicações no VMB (Aposta MTV, Clipe do Ano e Melhor Clipe de Rap), sabe? Aquele que no dia da apresentação subiu ao palco ao lado da Fernanda Takai para apresentar o show do Erasmo Carlos. Não sabe?

Desse jeito fica difícil conversar sobre o cara. Confira aqui o video do cara indicado a todos esses prêmios.

02/10/2009

Nas bordas

Para quem gosta do cinema que foge das imposições de mercado, é feito com pouco recurso e muita criatividade, vale a pena conferir o Canal "Nas Bordas", que foi hospedado hoje no Youtube.

Com três episódios, a série - que leva o mesmo nome do canal-, traz entrevistas com a equipe da produtora Recurso Zero Produções, mescladas a imagens dos seus maiores sucessos.

Confira no link: www.youtube.com/biabehar

27/09/2009

O realismo cinematográfico

“Recordem que, por nossa incapacidade de ver,
os movimentos do presdigitador se convertem em magia.”

(Adolfo Bioy Casares, A invenção de Morel)

Por Gabriel Carneiro

Em todas as formas de artes, há uma evolução. Elementos estéticas e conteúdos deixam de fazer sentido em determinado contexto e assim surgem novas formas de enxergar o mundo pelas lentes artísticas. Ao longo de séculos, pode-se contemplar a mudança de um Barroco, para um Arcadismo, para depois um Romantismo – todos esses rótulos que dão para classificar um modo de construir uma expressão, denominada arte. Em certo momento, o Realismo passou a ser o jeito encontrado para vislumbrar o mundo. Mesmo no cinema, arte que se iniciou no final do século XIX, teve uma evolução similar às artes plásticas, à música ou à literatura. Porém, o realismo que impera hoje no cinema não é mais no mesmo sentido do Realismo literário.

Em 1945, o filme Roma, Cidade Aberta, estreou, fez alarde pelo mundo e rompeu com o cinema feito até então. Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rosselini, assim como outros representantes do chamado Neo-Realismo cinematográfico italiano, propunha um cinema fundamentado na realidade das ruas, nos problemas pelo qual a sociedade passava – era um cinema herdeiro do Neo-Realismo literário italiano e do Realismo literário. Hoje em dia, o realismo existe e impera no cinema, mas não como os italianos o introduziram à sétima arte. No cinema, atualmente, uma das prerrogativas para se lucrar com um filme é trazer a realidade a ele.

Dessa forma, duas maneiras se destacam. A primeira delas é o selo “baseado em fatos reais”. Um filme como essa promoção chama muito mais atenção dos espectadores, que buscam diversão, mas a informação acima de tudo. Então, num filme como Na Natureza Selvagem, de Sean Penn, sem desqualificá-lo enquanto arte, vemos diversas situações, que poderiam ser apenas de uma história qualquer que veio na cabeça do roteirista, ganharem status por ter de fato acontecido. A capa do DVD é sintomática quanto à informação textual: a parte de cima contém o título do filme, atores que fazem parte e quem o dirigiu; abaixo, só há uma frase: “uma aventura baseada em fatos reais”, quase como isso fosse relevante para se pensar um filme. Há uma sede por se encantar, se perder, sofrer junto com uma história que aconteceu – parece que o cinema, assim, fica a serviço da realidade, para interpretar os fatos e expô-los.

Em decorrência disso, a segunda maneira se sobrepõe à primeira. Foi-se o tempo em que o cinema, como arte, mostrava algo fantasioso, fictício. Um dos mestres dos efeitos especiais, Ray Harryhausen, foi praticamente esquecido pelas novas gerações que enxergam em filmes como O Senhor dos Anéis uma grande obra pelo visual hiper-trabalhado e muito próximo do real, como se os elfos, hobbits e monstros realmente existissem – por mais fantasiosa que seja a história. Harryhausen mostrou sua arte pela última vez no filme Fúria de Titãs, em 1981. Nos dias de hoje, seus efeitos especiais feitos em stop-motion, com massinha e retro-projeção, não encontrariam mais lugar, seriam cunhados de mal feitos – e o mal feito aqui não se origina na qualidade do trabalho em si, mas por aparentar falso, uma ludibriação; o fantástico em si. É comum ir ao cinema hoje em dia e escutar, após uma sessão de um filme que usa muitos efeitos visuais, a afirmação “parecia de verdade”.

Como afirmou Bioy Casares em sua obra-prima, A invenção de Morel, “os movimentos do presdigitador se convertem em magia”: o público não enxerga mais o cinema como criação expressiva e sim como reprodução da realidade, mesmo que essa realidade exista apenas nas mentes sedentas por fatos reais. A magia do cinema só existe, hoje, no realismo da realização.

13/09/2009

Em Nome do Desejo

de João Silvério Trevisan

Por Gabriel Carneiro
“- O que Tiquinho mais amava em Abel?

- Seu jeito de caminhar como leão novo, sem embaraço. Seus olhos cujo brilho transmitiam uma irresistível bondade. E, naturalmente, seu peito de esportista – não largo em demasia, mas sobressalente, convidativo; e rijo sem ser árido, porque o amaciavam os pelos negros de cigano espanhol.”

Em Nome do Desejo é o primeiro romance publicado de João Silvério Trevisan, em 1983, pela editora Codecri – edição que o autor refuta. Anteriormente, lançara o livro de contos Testamento de Jônatas deixado a David (1976) e o infanto-juvenil As incríveis Aventuras de El Condor (1980). Em Nome do Desejo é um belo exemplo de como funciona a escrita de Trevisan, importante nome da literatura contemporânea, que se dedicou primeiramente ao cinema. Homossexual assumido, seu primeiro romance traz uma carga (homo)erótica muito forte, e, a partir disso, discorre sobre a descoberta sexual de dois jovens seminaristas, envoltos no amor a Cristo e ao próximo, um amor muito passional, que os dilacera por dentro enquanto os fazem experimentarem a puberdade e o mundo.

Dessa forma, a herança de seminarista do autor reflete-se em duas posições: numa clara descrição de como funcionava o seminário, os processos e ritos dos jovens estudantes, suas relações com os padres e com os outros estudantes, ao longo da infância e da adolescência; e em como um determinado personagem, Tiquinho, o narrador-protagonista, se envolve com aquele mundo, com as descobertas e com conflitos de ordem amorosa e espiritual.

Usando do jogo de perguntas e respostas, presentes no catecismo, Trevisan conta a história de um homem, então conhecido como Tiquinho, que visita o local onde 30 anos antes era o seminário que participou. Agora, transformado em orfanato, esse homem relembra o passado, em especial de sua paixão por Abel, outro seminarista. A estrutura usada pelo autor permite um acesso rápido à mente do personagem, quase como uma conversa aberta entre duas pessoas, sendo uma delas ávida por descobrir o que rodeou a cabeça daquele jovem – e ainda assim, brincando com as práticas católicas, que permeiam o romance.

Deveras polêmico por associar o sexo, entre jovens do sexo masculino, ao catolicismo, Em Nome do Desejo é um belo libelo contra o preconceito, e uma maneira de expor a iniciação sexual, seja ela homossexual ou não. As controvérsias entre o sagrado e o profano ganham um interessante olhar com Tiquinho, pois, para ele, seu amor por Abel – que o motivava à descoberta sexual – era tão ou mais sagrada que Cristo, mesmo que isso o atormentasse e o amedrontasse profundamente. Amava Abel com gosto, e seu amor era belo e comovente; mas também amava a Cristo, e essa dualidade o deixava confuso, e fragilizado. A verve humanista que se desenvolve com o livro é justamente por atribuir um senso real e comum a quem passou pela puberdade – independente da ligação à religião propriamente dita.

A carga erótica leva o leitor à sua iniciação sexual, aos seus desejos, à ingenuidade disso tudo. Sexo puro, ligado a um amor puro, passional – por isso forte e descriminado. Assim como qualquer ritual de passagem marcante, a sexualidade é probatória e misteriosa. A visão pecaminosa dos desejos só o tornam mais interessantes, quase como um segredo, sagrado, da paixão por Cristo – paixão que tende a ser física.

Com uma deliciosa narrativa, que flui para o leitor, deveras cinematográfica, até – por se valer muito da descrição e do imagético; sua narrativa atravessa facilmente a mente em imagens -, João Silvério Trevisan perpetua, com olhar maduro e sofrido, a juventude – uma juventude perene, implacável, e saudável, envolta por turbilhões emocionais, sofrimentos e ainda assim bela, como os amores imperfeitos do passado.

15/06/2009

Meu Destino em Tuas Mãos

Por Gabriel Carneiro

Meu Destino em Tuas Mãos
Direção José Mojica Marins
Brasil, 1963.

Coisa rara a temática de Meu Destino em Tuas Mãos na carreira de seu autor – este que é o segundo filme do cineasta José Mojica Marins, anterior ao personagem Zé do Caixão. Ele se aventura por um gênero que lhe é inóspito, e que assim fica até os dias de hoje, o melodrama – nesse caso, também muscial. A imagem de Mojica fazendo um filme de crianças – sendo que uma delas canta – não é muito positiva. A abertura, por exemplo, é uma animação com crianças, padres e sinos, entoados por uma canção com a voz do garoto Franquito. Muito estranho, afinal, o cineasta é famoso por ser visceral, por seus filmes carregarem uma grande dose de subversão temática e formal, por extrapolar na violência e no erotismo de suas personagens nas cenas mais tortuosas.

É surpreendentemente prazerosa, porém, a visita ao filme. Mojica consegue fazer uma película simples, que lembra bastante o cinema rural feito no país até meados da década de 70. Apesar das incongruências (com sua carreira, fique claro), Mojica Marins se acerta. O filme caminha fácil, embalado por conflitos comuns, Franquito e sua voz, heróis, vilãos... Nada de extraordinário que justificasse a lembrança do filme nos dias de hoje, se não fosse a análise mais profunda da carreira de um dos maiores gênios do cinema brasileiro.

Isso não relega o filme a um grau de qualidade baixa, e sim de obscurantismo, por, justamente, não ser um exemplar do gênero. O roteiro é frágil e cheio de soluções fáceis, que conduzem o espectador à segurança de um filme que respeita a palavra divina, um filme submisso às facilidades do dogmatismo talvez. Cinco garotos de diferentes idades fogem de casa por serem de alguma forma agredidos por seus genitores (ou tutores). Nessa aventura, cantam, cometem furtos de alimentos e se relacionam com pessoas que passam pelos seus caminhos. A falha está em como essa agressão é feita. Excetuando-se pela família Mojica – José, o cineasta, é o maior vilão, o pai que ameaça o filho de morte; e Antônio, pai do cineasta, que instiga o sobrinho da esposa a bancar seus problemas -, todos os outros simplesmente se cansaram com coisa à toa. Um deles, por exemplo, ouviu apenas o pai reclamar da falta de produtividade financeira do garoto, que prefere a escola ao trabalho. Isso o motiva a sair de casa, assim como o garoto que quer ser inconveniente durante o namoro da irmã, e dela recebe uma chinelada.

A única alternativa mais complexa da obra é quando a recorrente memória de um pai maldoso e violento (José Mojica) perturba constantemente um moleque mirrado, que sonha e delira com o trauma. Vencer a memória é um caminho pecaminoso e que livra o filme de um excesso de banalidades. Claro, o garoto Franquito cantando também não chega a incomodar.

Toda essa comprovação não é gratuita. A própria história do filme atesta isso. Conta-se que, querendo sucesso comercial acima de tudo, Mojica teria procurado o Padre Lopes, da Escola de Cinema São Luís, após o fracasso no interior de seu primeiro filme, A Sina do Aventureiro – a Igreja sempre foi muito influente no interior, justamente pela pequena população, que é religiosa, e segue os conselhos dos padres; por ter colocado uma cena de duas moças tomando banho no rio no western feijoada, os clérigos teriam condenado o filme e desencorajado os fiéis de verem-no. Padre Lopes teria dito a Mojica que fizesse um filme sobre crianças e redenções, em que padres e freiras fossem os heróis, e que o filme passasse uma mensagem positiva. Os padres amaram, mas o público e a crítica nem notaram a película. Destinado a um público infantil, o filme foi comprometido pela censura de 14 anos. Com o fracasso, Lopes teria dito a Mojica que cinema não era para ele.

Alguns críticos dizem que Meu Destino em Tuas Mãos seria Os Esquecidos brasileiro. Numa análise superficial, há muitos pontos de ligação entre os filmes de Mojica e de Luis Buñuel, e só. Olhando-se mais atentamente, percebe-se que Buñuel tem um olhar muito mais intimista e crítico quanto à sua realidade, fator quase nulo na obra tupiniquim – que não é necessariamente um demérito.

A tal fragilidade não chega a comprometer o resultado. A direção sóbria de Mojica garante à jornada e à cantoria um clima de liberdade e tranqüilidade. Fica a impressão de satisfação, de divertimento, e de 80 minutos bem gastos. A plenitude se encarrega de resto.

*Publicado originalmente na edição #25, da Revista Zingu!

03/06/2009

Livro quentinho com curiosidades da vida de reis e rainha europeus

A Editora Europa acaba de lançar no Brasil A História Secreta dos Reis e Rainhas da Europa, livro de Brenda Ralph Lewis que conta a história dos mais polêmicos monarcas e nobres europeus. Na obra, há textos curiosos que retratam como os grandes nobres do Velho Continente lidaram de forma estranha e inconsequente com o poder, como foi o caso de Vlad Dracul, príncipe sanguinário que inspirou o protagonista do romance Drácula, de Bram Stoker.

Nesse livro é possível conferir um relato da sucessão de soberanos enlouquecidos que trouxeram muita dor e angústia ao povo espanhol por mais de um século. Como se não bastasse, o livro conta em detalhes todo o episódio do suicídio do Príncipe Rodolfo, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e de como a condessa húngara Elizabeth Barthory assassinou todas as virgens de sua cidade.

A História Secreta dos Reis e Rainhas da Europa apresenta fatos que datam desde a Idade Média até o século 20. O livro traz diversas reflexões a respeito de como o poder pode subir na cabeça dos homens e mulheres. Vale a pena conferir.

A História Secreta dos Reis e Rainhas da Europa
Onde achar: Nas principais livrarias do País e no site http://www.livrariaeuropa.com.br/
Preço: R$ 99,90
Número de páginas: 256
Telefone para venda: (0xx11) 3038-5050

04/05/2009

Mostra Guilherme de Almeida Prado

Guilherme
de 19 a 24/5


Entrada franca (retirar ingressos com uma hora antes de cada sessão)
Idade recomendada: 16 anos
Sala Lima Barreto, no Centro Cultural São Paulo (100 lugares)
Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso - São Paulo/SP

apoio: Cinemateca Brasileira, MIS - Museu da Imagem e Som, Raiz Produções e Star Filmes

O ciclo traz o trabalho e depoimento do cineasta paulista Guilherme de Almeida Prado em uma retrospectiva completa de sua filmografia como diretor.

(Os filmes serão apresentados em suporte 35mm)


Onde Andará Dulce Veiga?

dia 19/5 - terça

16h Onde andará Dulce Veiga?
(2008, cor, 135min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Maitê Proença, Carolina Dieckman, Eriberto Leão, Christiane Torloni
Jornalista se apaixona por uma roqueira gay enquanto investiga o desaparecimento de uma atriz e cantora de MPB que fez sucesso nos anos 1960. O que ele não sabe é o quanto vai ter que descobrir sobre si mesmo antes de realizar seus desejos. O filme é baseado na obra autobiográfica de Caio Fernando Abreu.
18h30 A hora mágica
(1998, cor, 103min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Raul Gazolla, Julia Lemmertz, José Lewgoy, Maitê Proença
Intérprete de radionovelas apaixona-se por uma jovem ambiciosa, que o envolve numa trama criminosa e cheia de mistérios. O filme foi livremente inspirado no conto Cambio de Luces, de Julio Cortázar.
20h30 Glaura
(1995, cor, 15min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: José Lewgoy, Júlia Lemmertz, Alexandre Borges, Matilde Mastrangi
Glaura vive com o marido, a filha e o sogro e, apesar de trabalhar todos os dias cuidando da casa e da família, não é valorizada. Num domingo em que o marido e a filha vão para o estádio assistir a um jogo de futebol, cabe a ela a missão de levar o sogro paraplégico à igreja. Um musical à brasileira sobre uma mulher que odeia música.
As taras de todos nós
(1981, cor, 100min)
direção: Guilherme de Almeida Prado
Primeiro longa-metragem de Guilherme, dividido em três episódios:
1° episódio: O uso prático dos pés
Um vendedor de loja de calçados se apaixona pelos pés perfeitos de uma cliente. Ele passa a persegui-la, mas sem abordá-la, devido à timidez.
2° episódio: A tesourinha
Viúvo conserva sua casa e seus hábitos de maneira idêntica aos do tempo em que sua esposa era viva. Sua sobrinha vai morar na casa e tenta descobrir o segredo do tio, espiando seus atos amorosos com prostitutas.
3° episódio: Programa duplo
Um funcionário público está irritado com sua vida de casado, pois a esposa gosta de televisão e recusa sexo. Obcecado por pornochanchadas, ele se imagina mantendo atos sexuais idênticos aos filmes.

dia 20/5 - quarta

16h Perfume de gardênia
(1992, cor, 118 min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Christiane Torloni, José Mayer, Walter Quiroz, Cláudio Marzo
Uma bela mulher, preparada para ser apenas uma dona de casa, abandona marido e filho e começa uma carreira como atriz de cinema. Já adulto, o filho reencontra a mãe, em plena decadência profissional.
18h15 Flor do desejo
(1983, cor, 105min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Imara Reis, Caíque Ferreira, Tamara Taxman, Raymundo de Souza
As aventuras de uma prostituta do cais do porto que se une a um estivador para melhor explorar as engrenagens do poder. O clima romântico e boêmio do porto recria, numa narrativa mágica e alegórica, a atmosfera de amoralidade e corrupção do submundo brasileiro.
20h15 Debate com Guilherme de Almeida Prado
mediação: Arnaldo Fernandes Junior
A dama do Cine Shangai
(1988, cor, 115min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Maitê Proença, Antonio Fagundes, José Lewgoy, Jorge Dória
Corretor de imóveis entra em um cinema e conhece uma mulher misteriosa, muito parecida com a atriz principal do filme que está sendo exibido. A partir desse encontro, ele passa a viver uma aventura de intrigas e suspense.

dia 21/5 - quinta

16h A hora mágica
(1998, cor, 103min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Raul Gazolla, Julia Lemmertz, José Lewgoy, Maitê Proença
Intérprete de radionovelas apaixona-se por uma jovem ambiciosa, que o envolve numa trama criminosa e cheia de mistérios. O filme foi livremente inspirado no conto Cambio de Luces, de Julio Cortázar.
18h Onde andará Dulce Veiga?
(2008, cor, 135min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Maitê Proença, Carolina Dieckman, Eriberto Leão, Christiane Torloni
Jornalista se apaixona por uma roqueira gay enquanto investiga o desaparecimento de uma atriz e cantora de MPB que fez sucesso nos anos 1960. O que ele não sabe é o quanto vai ter que descobrir sobre si mesmo antes de realizar seus desejos. O filme é baseado na obra autobiográfica de Caio Fernando Abreu.
20h30 Glaura
(1995, cor, 15min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: José Lewgoy, Júlia Lemmertz, Alexandre Borges, Matilde Mastrangi
Glaura vive com o marido, a filha e o sogro e, apesar de trabalhar todos os dias cuidando da casa e da família, não é valorizada. Num domingo em que o marido e a filha vão para o estádio assistir a um jogo de futebol, cabe a ela a missão de levar o sogro paraplégico à igreja. Um musical à brasileira sobre uma mulher que odeia música.
Flor do desejo
(1983, cor, 105min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Imara Reis, Caíque Ferreira, Tamara Taxman, Raymundo de Souza
As aventuras de uma prostituta do cais do porto que se une a um estivador para melhor explorar as engrenagens do poder. O clima romântico e boêmio do porto recria, numa narrativa mágica e alegórica, a atmosfera de amoralidade e corrupção do submundo brasileiro.

dia 22/5 - sexta

16h A dama do Cine Shangai

(1988, cor, 115min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Maitê Proença, Antonio Fagundes, José Lewgoy, Jorge Dória
Corretor de imóveis entra em um cinema e conhece uma mulher misteriosa, muito parecida com a atriz principal do filme que está sendo exibido. A partir desse encontro aparentemente fortuito, ele passa a viver uma aventura de intrigas e suspense.
18h15 As taras de todos nós
(1981, cor, 100min)
direção: Guilherme de Almeida Prado
Primeiro longa-metragem de Guilherme, dividido em três episódios:
1° episódio: O uso prático dos pés
Um vendedor de loja de calçados se apaixona pelos pés perfeitos de uma cliente. Ele passa a persegui-la, mas sem abordá-la, devido à timidez.
2° episódio: A tesourinha
Viúvo conserva sua casa e seus hábitos de maneira idêntica aos do tempo em que sua esposa era viva. Sua sobrinha vai morar na casa e tenta descobrir o segredo do tio, espiando seus atos amorosos com prostitutas.
3° episódio: Programa duplo
Um funcionário público está irritado com sua vida de casado, pois a esposa gosta de televisão e recusa sexo. Obcecado por pornochanchadas, ele se imagina mantendo atos sexuais idênticos aos filmes.
20h15 Perfume de gardênia
(1992, cor, 118 min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Christiane Torloni, José Mayer, Walter Quiroz, Cláudio Marzo
Uma bela mulher, preparada para ser apenas uma dona de casa, abandona marido e filho e começa uma carreira como atriz de cinema. Já adulto, o filho reencontra a mãe, em plena decadência profissional.

dia 23/5 - sábado

16h As taras de todos nós
(1981, cor, 100min)
direção: Guilherme de Almeida Prado
Primeiro longa-metragem de Guilherme, dividido em três episódios:
1° episódio: O uso prático dos pés
Um vendedor de loja de calçados se apaixona pelos pés perfeitos de uma cliente. Ele passa a persegui-la, mas sem abordá-la, devido à timidez.
2° episódio: A tesourinha
Viúvo conserva sua casa e seus hábitos de maneira idêntica aos do tempo em que sua esposa era viva. Sua sobrinha vai morar na casa e tenta descobrir o segredo do tio, espiando seus atos amorosos com prostitutas.
3° episódio: Programa duplo
Um funcionário público está irritado com sua vida de casado, pois a esposa gosta de televisão e recusa sexo. Obcecado por pornochanchadas, ele se imagina mantendo atos sexuais idênticos aos filmes.
18h A dama do Cine Shangai
(1988, cor, 115min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Maitê Proença, Antonio Fagundes, José Lewgoy, Jorge Dória
Corretor de imóveis entra em um cinema e conhece uma mulher misteriosa, muito parecida com a atriz principal do filme que está sendo exibido. A partir desse encontro aparentemente fortuito, ele passa a viver uma aventura de intrigas e suspense.
20h15 Glaura
(1995, cor, 15min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: José Lewgoy, Júlia Lemmertz, Alexandre Borges, Matilde Mastrangi
Glaura vive com o marido, a filha e o sogro e, apesar de trabalhar todos os dias cuidando da casa e da família, não é valorizada. Num domingo em que o marido e a filha vão para o estádio assistir a um jogo de futebol, cabe a ela a missão de levar o sogro paraplégico à igreja. Um musical à brasileira sobre uma mulher que odeia música.
A hora mágica
(1998, cor, 103min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Raul Gazolla, Julia Lemmertz, José Lewgoy, Maitê Proença
Intérprete de radionovelas apaixona-se por uma jovem ambiciosa, que o envolve numa trama criminosa e cheia de mistérios. O filme foi livremente inspirado no conto Cambio de Luces, de Julio Cortázar.

dia 24/5 - domingo

16h Flor do desejo
(1983, cor, 105min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Imara Reis, Caíque Ferreira, Tamara Taxman, Raymundo de Souza
As aventuras de uma prostituta do cais do porto que se une a um estivador para melhor explorar as engrenagens do poder. O clima romântico e boêmio do porto recria, numa narrativa mágica e alegórica, a atmosfera de amoralidade e corrupção do submundo brasileiro.
18h Perfume de gardênia
(1992, cor, 118 min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Christiane Torloni, José Mayer, Walter Quiroz, Cláudio Marzo
Uma bela mulher, preparada para ser apenas uma dona de casa, abandona marido e filho e começa uma carreira como atriz de cinema. Já adulto, o filho reencontra a mãe, em plena decadência profissional.
20h15 Onde andará Dulce Veiga?
(2008, cor, 135min)
direção: Guilherme de Almeida Prado - elenco: Maitê Proença, Carolina Dieckman, Eriberto Leão, Christiane Torloni
Jornalista se apaixona por uma roqueira gay enquanto investiga o desaparecimento de uma atriz e cantora de MPB que fez sucesso nos anos 1960. O que ele não sabe é o quanto vai ter que descobrir sobre si mesmo antes de realizar seus desejos. O filme é baseado na obra autobiográfica de Caio Fernando Abreu.

Para mais informações sobre Guilherme de Almeida Prado e/ou sua mostra:

19/04/2009

Cinema na Boca do Lixo

Amada Amante
Direção: Cláudio Cunha
Brasil, 1978.

(Pode conter spoilers)

Amada Amante está longe de ser um filme convencional. O filme de Cláudio Cunha toma uma liberdade imensa das vulgas pornochanchadas da época – ao mesmo tempo em que brinca, e muito, com a questão da sexualidade, o cerne nunca deixa de ser o comportamento familiar. O roteiro de Benedito Ruy Barbosa deve muito à obra rodrigueana, em especial às suas famosas crônicas. A família como origem dos problemas – em todo seu pudor, conservadorismo e hipocrisia.

Uma família pudica do interior paulista se muda para o Rio de Janeiro, quando o patriarca é promovido no emprego. O Rio de Janeiro dos anos 70 mostrado no filme é o Rio das imagens, em toda sua glória libertina – e não havia lugar mais ideal para se homenagear o grande Nelson Rodrigues -, nas praias, nas mulheres de biquíni, na malandragem... O Rio que vemos é uma cidade liberal, desde o rapaz que paquera e persegue a moça na praia, até as meninas do prédio que trazem um interesse curioso pela atitude carola dos novos moradores.

Aparentemente, filme não se mostra consistente para percorrer seu caminho – não sabe se é uma história de adolescentes fogosos e inexperientes, se é uma história de adultério, ou se é apenas um desfile de garotas de biquíni e de peitos de fora -, mas quando encontra seu ponto, e os relacionamentos se estreitam, Amada Amante se torna uma pequena obra-prima. Logo no começo há um momento bem simbólico para o que veremos na segunda metade do longa. Os jovens recém-chegados estão afoitos pela praia – dos três filhos, duas meninas e um menino, dois resolvem comprar trajes de banho da moda, biquíni e sunga – e saem do quarto com suas novas roupas. O pai os impede de sair de casa em tão pouca roupa. Na rua, a moça de maiô causa comoção numa mesa de bar: “nossa, não vejo uma roupa dessas desde as chanchadas da Atlântida.”

Um tanto óbvio que o patriarca conservador, que não deixa os filhos usarem os trajes de banho que gostam, a ponto de serem humilhados – não acho que muitas pessoas gostam de ter seus biquínis comparados a filmes dos anos 40 e 50 -, será o primeiro a se contradizer nos seus valores de decência e moral. Quanto mais ele se aproxima da secretária, até sucumbir à sua sedução, mais o vemos distante da família – não é à toa, há toda uma repressão de si mesmo em burlar os valores em que acredita, e isso transparece quando é pego pela esposa. Porém, o desejo ainda é maior. Ele continua com aquilo, não consegue se livrar – a mulher mostrada como uma frígida e submissa dona de casa é para ele a razão do adultério, mesmo que pregue essa atitude como ideal para uma família “descente”.

A psicose de ser alguém superior moralmente, principalmente com o adultério do qual não consegue se livrar, é gradual, e é o elemento coercivo do filme. É a psicose do pai que faz com que a família comece a extrapolar em seu comportamento sexual – a moça comportada que se apaixona pelo garanhão da redondeza, o rapaz que só perde o “respeito” pela moça quando é chamada de bicha e a mais nova que se vê tentada por uma garota. A mãe que simplesmente aceita o comportamento do marido sem nunca dele suspeitar é outro motivo de inconformação. Quando a filha mais velha pega o pai na pegação com a secretária, tudo cai. Toda a moral, toda a decência são lavadas.

Ao término, quando o pai recebe uma homenagem da firma, o senso estético de Cláudio Cunha aflora, e faz uma forte e belíssima cena: ao fazer seu discurso, alternam-se os momentos paralelos com as três mulheres de sua vida (as filhas e a esposa), em cenas apaixonadamente quentes no ato sexual extravagante, que ele jamais aprovaria.

PS.: Destaque para a excelente participação de Carlos Imperial como o tarado voyeur do prédio ao lado, que só se excita quando vê mulheres nuas na janela.
Publicado originalmente na edição #30, da Revista Zingu!